Problematização do conceito de virtual

25-10-2011 04:44

Com o desenvolvimento das tecnologias em rede, tornaram-se mais comuns os termos "virtual" e "virtualidade". No conceito geral, entende-se o "virtual" como tudo o que diz respeito às tecnologias, nomeadamente, as comunicações via Internet. 

 

A distância é um termo interessantíssimo para tentarmos avaliar a sua dimensão quando passamos a usar a internet e outros meios digitais e virtuais. O virtual é um espaço real como indica Pierre Levy e nossa própria experiência do cotidiano no uso destas ferramentas comprova isso. 

 

Um dos mais conhecidos autores a tratar do tema é o francês Pier re Lévy. Em seu livro "O que é o virtual?", ele define:

"o virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual. Contrariamente ao possível, estático e já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a actualização." (LÉVY, 1996, p.16)

Lévy compara o virtual a um problema muito complexo ou a um acontecimento que precisa de uma solução. Esta solução é proporcionada pela atualização, que vem a ser o inverso da virtualização. Completando seu raciocínio, diz que a virtualização consiste em uma passagem do atual ao virtual, numa "elevação à potência" da entidade considerada.

 

A virtualização não é uma desrealização (a transformação de uma realidade num conjunto de possíveis), mas uma mutação de identidade, um deslocamento do centro de gravidade ont ológico do objeto considerado: em vez de se definir principalmente por sua atualidade (uma "solução"), a entidade passa a encontrar sua consistência essencial num campo problemático. Verifica-se, portanto, que ocorre um círculo: a atualização soluciona um problema e a virtualização de uma solução gera um outro problema.

 

Na tentativa de explicar melhor o que é "virtual", Lévy descreve a situação de uma empresa com departamentos longe da matriz.

"A virtualização pode ser definida como o movimento inverso da atualização. Consiste em uma passagem do atual ao virtual, em uma 'elevação à potência' da entidade considerada. A virtualização não é uma desrealização (a transformação de uma realidade num conjunto de possíveis), mas uma mutação de identidade, um deslocamento do centro de gravidade ontológico do objeto considerado: em vez de se definir principalmente por sua actualidade ('uma solução'), a entidade passa a encontrar sua consistência essencial num corpo problemático" (LÉVY, 1996, p.17).

 

Ele afirma que "a palavra virtual vem do latim medieval virtualis, derivado, por sua vez, de virtus, força, potência. O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado, no entanto, à concretização efetiva ou formal", ou seja, é algo que não existe na forma física.

 

Pode-se afirmar que o virtual é uma realidade que veio facilitar a vida do ser humano, pois através do virtual, que se encontra num suporte material (o computador), é possível obter várias informações (interagir) com outras pessoas.

 

Para Lévy, o virtual é mediado ou potencializado pela tecnologia; produto da externalização de construções mentais em espaços de interação cibernéticos.

 

Lévy usa o termo para criar especulação filosófica: fala de "virtualização" aplicada a, praticamente, todos os aspectos da vida humana: "Três processos de virtualização fizeram emergir a espécie humana: o desenvolvimento das linguagens, a multiplicação das técnicas e a complexificação das instituições" (LÉVY, 1996, p. 70). 

 

Em Educação, é frequente o uso de "virtual" na designação de sistema de colaboração em rede. Como em "ambientes virtuais de aprendizagem", por exemplo. Em informática, é muito usado para designar sistemas de animação tridimensional em tempo real: realidade virtual. "Virtual" também é um termo usado largamente para designar qualquer relacionamento mediado por redes de computador. 

 

(Actualizado a 05/11/2011)

 

Assim sendo, o "virtual" possui um conjunto de aspectos que o torna numa ferramenta prospera para o surgimento de múltiplas situações e contextos de aprendizagem.

 

Um dos aspectos que podemos destacar é o estilo individual da aprendizagem. Temos alunos visuais, outros auditivos, outros gostam mais de pesquisar e outros apreciam a dedução lógica dos problemas. Perante as características destes ambientes e perante as possibilidades de se apresentarem de forma não linear, poderemos dizer que estamos perante um fortíssima ferramenta onde na mesma aula, e por etapas poderemos recriar ambientes de trabalho susceptíveis de respeitar o estilo, o ritmo de aprendizagem, com a inclusão de vários media e tudo isto numa única actividade. O mesmo poderá ocorrer com os conteúdos de base ao trabalho e estudo dos alunos. Para além disso, as mesmas poderão conceder ao aluno um feedback no momento, bastando que para isso inclua a mais elementar das características a interactividade, assim como, poderá possibilitar ao professor aumentar ou diminuir o grau de dificuldade da actividade.

 

Para além disso, imaginar as possibilidades concedidas aos estilos de aprendizagem (difícil de controlar e de corresponder numa sala de aula) com as características de imersão, interacção prevê-se ser um espaço de forte componente de partilha de experiências e da construção de conhecimentos mais alargados e mais duradouros através de projectos multidisciplinares, interdisciplinares; e/ou multi e interculturais em que alunos de várias áreas se envolvem em projectos comuns. Este aspecto será, ainda, fortemente influenciado pela instantaneidade e pelas possibilidade de actualizações constantes dos recursos disponibilizados, pelo espaço onde poderá ocorrer e mesmo no tempo, pela velocidade da comunicação e pela dimensão da comunicação pelo número possível de intervenientes no processo.

 

Fonte

Virtual, WIKIPÉDIA

Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Virtual (Consultado a 26/10/2011)

 

LÉVY, Pierre. O que é o virtual?, São Paulo: Ed. 34, 1996.

Disponível em: Lévy, Pierre  (Consultado a 24/10/2011)

 

Daniela Melaré. O virtual como espaço educativo, (2010)

Disponível em: http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/resource/view.php?id=1319311 (Consultado a 24/10/2011)

 

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